Dias 15, 16 e 17 Finalmente na Transamazônica
Dia 15 –
Moraes de Almeida , PA
Hoje acordei 4: da madruga. Esperei clarear um pouco o dia e
comecei a arruma minhas coisas na moto. Foi só eu botar o nariz de fora da
porta do quarto que já foi ligado o gerador e tive luz para ajudar na tarefa.
Molezinha. Fiquei ainda enrolando um
pouco pois queria pegar o café da manhã que tinham me dito que era as 6 da
manhã. Quando cheguei no restaurante, 5:30, me fiz de loko e perguntei se o
café já estava pronto e o atendente disse que sim. E onde é, perguntei eu. E ele
apontou para duas térmicas em cima do balcão. Eu insisti: não, me refiro ao
café da manhã do hotel.
Ele: é só isso que tem mesmo.
Fazer o que né? Tomei um copinho de café com leite e me
mandei.
Pelo menos sai mais cedo e deu para andar bastante antes de
esquentar muito. O dia meio nublado ajudou bastante. Eu via céu azul sempre a
minha esquerda e como o sol nasça da direita, até meio dia foi tranqüilo. Mas
quando o bixo deu as caras meu...bota forno nisso.
Esse local no meio do nada onde parei para dormir, ficava a
uns 500m do reinicio do asfalto, então deu para andar tranqüilo por mais uns 80
km. A próxima cidade onde eu pretendia pernoitar era Novo Progresso, a maior da
região.
Cheguei a novo Progresso
as 10:30, muito cedo para parar, mas o próximo trecho até a Cidade de
Itaituba, já na Transamazônica era de 400km, muita coisa para tocar direto.
Então resolvi parar. Fui procurar um oficina para trocar o
óleo da moto e, perguntando na rua, me indicaram a Mundial Motos. Uma loja e
oficina bem grande para o local. Troquei o óleo, sem filtro, pois não tinham, e
comprei um pedal de câmbio de tornado, para ter reserva. Depois do cagaço de
ontem, achei melhor ter um reserva. Já aproveitei e padi para terminar de
desentortar o que estava torto ainda. Ficou ótimo. Paguei com cartão, bebi
bastante água de graça e ainda levei duas garrafinhas reabastecidas no
bebedouro deles, usei o banheiro e me mandei.
Enquanto esperava, conversando com o gerente da loja, ele me
disse que tinha mais uma cidade com hotel mais 100km a frente, então como era
muito cedo, resolvi tocar mais esses 100 km, sendo que 50 de asfalto e depois
voltava a terra, mas tudo bem eram só mais 100. Dava até para fazer mais outros
100 se tivesse onde ficar no caminho, mas acampar nessas bandas é muito
perigoso, então resolvi ficar aqui mesmo, em Moraes de Almeida. Agora só ficam
mais 300 para amanhã, sendo que desses deve ter uns 100 já asfaltado segundo o
gerente me informou. Vamos ver, por aqui as informações nem sempre batem.
Uma coisa é certa, em pouco tempo, pouco mesmo, se continuar
nesse ritmo a BR 163(Cuiabá/ Santarém) estará toda asfaltada e digo aos
viajantes: já é e será, mais ainda, uma
rota imperdível. A estrada é linda. Uma vegetação maravilhosa de matas com
muuuuuuitas palmeiras e castanheiras, muitas araras passaram voando sobre mim
no caminho. É lindo.
Em um trecho, quase chegando a Novo Progresso, passei por
uma tropa de gado, 400 cabeças segundo o vaqueiro a quem perguntei. Boi não é
novidade para nós gaúchos, mas a cena é bem legal, afinal pouco se vê isso pelo
Rio Grande: Gado, em grande quantidade, sendo conduzido pela estrada.
Cheguei agora a pouco aqui em Moraes de Almeida, me hospedei
no hotel Bela Vista. A cidade é poço
mais que uma vila. O hotel é super bem limpinho e organizado e tem até quartos
com ar condicionado. Eu peguei um só com ventilador, é suficiente para dormir
bem a noite. Pelo menos esses aqui são organizados e fizeram o mínimo que é
botar tela nas janelas. Lá onde parei ontem, não tinha tela nem ventilador uma
vez que a luz era desligada a noite. Imagina como foi bom, dormir num calorão
desses, com janela e porta lacradas, para não entrar os bixos e sem ventilação
nenhuma. Uma semi-sauna.
A internet aqui no hotel é via rádio e a menina disse que só
funciona quando quer, então, nem vou perder meu tempo tentando usá-la. Vou
deixar esse texto salvo e como os outro, publico quando as condições
permitirem.
Quero acalmar os ânimos da família, depois do tombinho de
ontem, fiquei bem mansinho. To andando béééém devagarinho. Aliás, hoje se
estivesse mais rápido acho que estaria estatelado pelos barrancos da estrada.
Eu vinha bem belo, na minha, e depois de uma curva, vi um caminhão, desses que
transportam a terra da estrada, vindo a milhão e levantando uma enorme nuvem de
poeira. Resolvi encostar bem no cantinho da minha pista e esperar o louco
passar. Não é que no que eu encostei deu para ver que um pouco atrás desse
vinha um outro na contra-mão tentando ultrapassá-lo. O infeliz quando me viu,
quase bateu no outro e passou por mim deslizando na frenagem. Ele simplesmente
estava fazendo pega com o outro sem ver nada na frente por causa da poeira. Sem
contar que era uma curva logo adiante. É por essas e por outras que eu não
posso andar armado, porque se tenho um canhão ali na hora tinha enchido esse
loko de furo. FDP.
Bom, vou encher murcilha agora até a hora de dormir. Não tem
nada para fazer e botei a cara pra fora lá na frente do hotel e é só poeira e
um calor infernal. Vou ficar aqui bem quietinho no meu canto.
Dia 16 –
Moraes de Almeida/Itaituba,PA
ÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ’!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Cheguei na
transamazônica.
Estou em Itaituba, às margens do rio tapajós e vou dizer:
hoje realmente foi um dia de aventura casca dura.
SALVE IRMÃOS.
ESTÃO TODOS ABSOLVIDOS DOS SEUS
PECADOS.
EIS QUE SURGE O NOVO CRISTO PARA
VOCÊS.
Calma, não é sermão religioso, e desculpem-me os religiosos
que vão me acusar de blasfêmia, mas hoje eu encarnei o novo Cristo que veio ao
mundo para pagar pelos pecados da humanidade. É, fui eu sim. Hoje paguei todos
os meus pecados e mais os de todo mundo e ainda sobrou um créditozinho para o
futuro.
Eis que como já é rotina, acordei 5H da matina, depois de uma noite apreensivo,
pois choveu durante a noite. Arrumei as tralhas na moto, tomei o café da manhã
no hotel em Moraes de Almeida, ótimo hotel e com preço muito bom. Só não tem
internet. É por rádio e então já viu né. Sinal de fumaça deve ser mais
confiável. Mas pode tentar. De repente para um email até dá. Celular também nem
pensar. A salvação é um posto telefônico ao lado do hotel.
Mas vamos lá, depois do café, paguei a conta e rasguei fora.
Parei no posto para abastecer, lavar e lubrificar a corrente e já sai tomando
choque, gasolina a módicos R$ 3,48. Dei uma completadinha e pé na estrada.
Aliás, esse não foi o record de preço de gasolina, no dia anterior tinha
abastecido, poucos kms antes de Moraes de Almeida a 3,80. Isso sim é choque.
Mas tudo bem, nesse fim de mundo ter gasolina já é lucro.
Este por sinal é um problema que não existe nessa estrada, nunca fiquei mais de
100km sem posto para abastecer, só que o preço é sempre mais ou menos esses ai.
Tanque cheio lá fui eu, feliz da vida, encarar uma jornada
de 300km, dos quais 80 já asfaltado. São uns 40km de asfalto contínuo e o resto
em trechos espalhados pelo percurso. Toda a estrada esta em obras. Até final de
2013 deve estar concluída e será uma rota imperdível.
Sai pelo asfalto lépido e faceiro, quando começou a terra, o
chão estava ótimo, bem seco.......
(neste ponto do relato, mais uma vez, dormi com o notebook no colo).
Continuando no outro dia e já com as lembranças misturadas,
desculpem. Mas vamos lá.
Lá fui eu todo cuidadoso. Já começava a pensar comigo mesmo:
até que aquela chuvinha não foi tão prejudicial assim, vai dar para chegar
cedinho em Itaituba.
HÁ...HA...HA
Foi só falar que a merda começou. Venho eu bem belo e
deeeevagar, tooodo cuidadoso, e de repente do nada a terra firme vira lama,
argila, daquelas bééééééém lisinhas. E daí é aquilo: rebola pra cá, rebola prá
lá e vai. Vai onde? Pro chão é claro. Como eu vinha devagarzinho, deu nada
não,ligeirinho levantei a moto, tava bem fresquinho ainda, me peidei todo, mas
levantei rápido. Pedal de cambio virou gancho de novo, mas foi só desentortar e
segue o baile. É, literalmente foi um baile. Andei mais uns 50 metros e vi
aquela argila na frente. Dessa vez quase parei e fui, pé em pé. Acham que
adiantou alguma coisa? A pista era mal e mal inclinadinha e só isso fez a moto
sair deslizando de novo. Daí resolvi parar com os pés no chão para ver o que
fazer, e, e?...
CHÃÃÃOOOOO
Daí já vinha passando uma kombi com os carinhas da obra e me
ajudaram imediatamente a levantar a bendita. Dei o tempo para o computador de
bordo se restabelecer do tombo, e liguei o motor e fui tocar pelo ladinho, onde
tinha bastante cascalho.
Denovo, HÁ, HÁ, HÁ...
Otário. De baixo do cascalho era puro barro molhado e daí o
que acham que aconteceu?
Entupiu a moto...hã? Como assim seu anta? Desde quando moto
entope? Pois é, a minha entupiu. Hehehe
Tá bom, vou explicar para os que não entendem do assunto. É
que quando a roda vai passando pelo cascalho com barro em baixo, vai trazendo o
barro grudado e as pedras junto. É tudo uma passóca só. Bem, essa passoca vai
se amontoando, no caso da roda dianteira, dentro do para-lamas que tem para
evitar que essa merda toda seja respingada no radiador. No caso da roda
trazeira, fica entre a balança e o pneu. Entope tudo. AS rodas simplesmente não
giram. No começo só entupiu a da frente, então eu andei uns bons metros literalmente
esquiando com a roda travada e como a moto é uma cavala, empurrava assim mesmo.
Eita motorzão cuiudo esse.
Só que mesmo os cuiudos uma hora se rendem. Depois de uns 4
ou 5 tombos e no Maximo uns quinhentos metros rodados, ou deslisados, tentando
andar naquela meleca toda. No último tombo a moto caiu e eu fiquei só olhando,
sem a mínima condição física de sequer tentar levantar. Foi a única vez que
caiu para o lado direito e começou a vazar a gasolina pela tampa do tanque. Eu
ali semi-morto só ia contando: 50 centavos, um real, um real e cinqüenta, dois
real, dois...
Isso eram os ml de gasolina que ia vendo correr naquele
lamaçal maldito. Até que uns vários minutos, segundos, horas, dias, séculos ou
milenios depois, sei lá, perdi a noção de tempo, recuperei o fôlego e fui
tentar levantar a moto. Ficou só na tentativa, mas pelo menos a posição em que
ficou apoiada no guidão dessa vez, fez com que já não vazasse mais. Já foi uma
vitória. Deu tempo de tirar todas as tralhas de cima para aliviar o peso e
levantar a moto.
Colocada de pé, apareceu um menino que era da turma da
construção da estrada e me deu um pouco de água que ele carregava em uma
térmica de 5 litros. Aliás, todos eles andam com essas garrafonas por lá. Eu
fiquei por ali um tempo, esperando o cansasso passar e pensando no que fazer e
acreditem, a, não mais de 200 ou talvez 300 metros, eu via os caminhões que
passavam já levantando poeira. E aquilo para mim era uma distancia
inalcançável. Passada a exaustão,
resolvi levar a moto vazia mesmo até lá, depois do barro, onde já estava seco e
voltar para pegar as tralhas a pé. Pedi ajuda aos outros 3 rapazes que a essa
altura já estavam na minha volta também, todos com suas garrafonas de 5litros
de água, para que me ajudassem a por a moto na parte mais seca , no centro da
pista. Sim, tinha já secado ali no centro. Isso tudo durou mais ou menos uma
hora eu acho e ligeiro assim já estava secando.
Empurramos a moto, raspei um pouco mais do barro do
paralamas, sentei em cima e liguei o motor. Engatei a primeira, fui arrancar e
naaaaaaaaaada. O motor girou, a marcha engatou e a moto não andou.
PUUUUUUUUUUUUUUUTTTTTAAAAAAAAAAAA QUE PARIIIIIOOOOO.
Me fudi, pensei eu. A embreagem foi pro saco. A burrice de
querer fazer a moto andar na marra com as rodas trancadas só na base do motor,
fudeu com a embreagem. Desliguei, fiquei sentado já pensando pra onde eu ia
levar a moto naquele fim de mundo para arrumar. A última cidade que eu tinha
passado com uma oficina mais ou menos descente foi novo Progresso, centenas de
kms para trás. E agora. “É imprecionante como o cansasso nos tira a capacidade
de raciocínio, Foi só descansar um pouco e resolvi dar uma regulada na
embreagem no cabo da manete. Atitude ridícula e básica, mas não tinha pensado
nisso na hora. Funcionou. Patinando mas andou. Nesse meio tempo, parou um carro
que vinha do lado para onde eu ia e disse que para a frente estava tudo seco,
que podia ir tranqüilo. Isso foi realmente tranqüilizador, pois alguns
operários diziam que tinha chovido muito mais para cima, na estrada e devia
estar muito pior que aqui. Bom, sem comentar que a essas alturas já passadas
duas horas que eu estava ali naquele trecho de 500metros de estrada a condição
já era de quase seco. Nem deixei para pegar as coisa depois, já montei tudo na
moto ali mesmo, no meio da estrada, e to falando no meio mesmo, todo mundo
tinha que passar pelos cantos para desviar de mim, e me mandei. A moto deu uma
embalada e andou. Tinha que ir bem devagar, no máximo terceira marcha, mais que
isso patinava. Andei uns 10 km e cheguei a um posto de parada de caminhões e
restaurante dos trabalhadores da estrada. Tinha também um borracheiro, cheio de
caminhões concertando algo.
Parei ali para tomar mais água e comprar algumas para a
viagem. Descansado e reidratado, já raciocinando melhor um pouquinho, me
lembrei que também tem a regulagem do cabo na lateral da carcaça do motor, fui
ali, no borracheiro, peguei umas chaves emprestadas e regulei todo o resto que
deu, do cabo da embreagem. Resultado supimpa! Começou a pegar bem melhor a
embreagem e já deu para fazer todo o resto do caminho em velocidade normal.
Bom, agora é tudo uma maravilha, estrada seca, embreagem
funcionando 90%, e só mais cento e
poucos km de terra pela frente.
É, se não contar o calor infernal, os trechos de pura brita,
os trechos de talco, as caminhonetes que te ultrapassam a 120 km/h, os
caminhões levantando uma poeira infernal, o resto foi uma beleza.
Foi o dia mais estressante da viagem. Cheguei ao
entroncamento com a BR 230(transamazônica). Para a esquerda, meu destino,
Itaituba, às margens do rio Tapajós e a direita mais trezentos e poucos km até
Santarém. Eu já tinha resolvido dormir em Itaituba e no dia seguinte ir direto
para Santarém, conhecer Altér do Chão e pegar um barco para Manaus e arrumar a
moto lá, onde presumo que deve ser mais barato, afinal essa moto é fabricada lá
e tenho conhecidos lá também.
Cheguei em Itaituba, fui direto para um hotelzinho, que num
primeiro momento me pareceu bem legal, um ótimo quarto e preço bom. Lavei toda
roupa no chuveiro e quando fui perguntar pela internet, não tinha, perguntei
então que horas era o café da manhã e também não tinha. Daí fiquei puto da cara
e fui pro quarto escrever um pouco. Fui ligar o note na tomada e todas já são
dessas novas e imbecis tomadas de três pinos que não tem aparelho nenhum que
serve. O negócio era mesmo salvar as fotos e escrever até que a bateria
agüentasse, o que não é muito. Nem precisou mesmo, dormi no meio da escrita.
Estava realmente esgotado.
Estado das roupas na chegada a Itaituba
E essa não foi a gasolina mais cara, um abastecimento antes cheguei a pagar 3,89
Balsa que liga a transamazonica a Itaituba
Lavando a roupa no box do banheiro
Quartinho de hotel bem bom, mas sem internet, sem café da manhã e sem garagem. Para uma moto até que serve, coloquei a minha num cantinho que tem do lado da entrada.
Dia 17 – Itaituba – Santarém
Lá vou eu de novo. Dessa vez me forcei a ficar na cama até
mais tarde, só levantei 7:30. Desci, Tirei a moto do bretezinho que tinha
ficado do lado da entrada do hotel,(não tinha garagem) coloquei na calçada e
estiquei a corrente, lavei ela com água e escovinha e coloquei óleo. Tirei as
ferramentas de baixo do banco, como me recomendou meu amigo Sérgio e eu não dei
ouvidos(teimooooooooso) e depois fui pagar a conta e carregar as tralhas. Tudo
pronto, sai para procurar uma padaria para tomar um café e comer um sanduba.
Tuuuudo fechado. Desisti e me mandei para o porto. Cheguei a barca já estava
pronta para sair, foi só comprar a passagem, entrar correndo e zarpar. Meia
hora depois já estava na estrada rumo a Santarém. Eu sabia, pelo mapa, que teria
48 km de asfalto, na saída, depois 113 até Rurópolis de terra, e depois, todo
mundo com quem falei disse que até Santarém já estava tudo asfaltado. Mais uma
informação equivocada. Depois de Rurópolis ainda tem mais 67 km de terra, brita
e muuuuuuuito talco.
Esse foi o dia mais poeirento da viagem, se ontem eu achei
que foi o inferno, hoje foi muito, mas muito pior em matéria de poeira. Boa
parte da estrada estava bem lisa e tranqüila de andar, mas é um trecho cheio de
armadilhas. Não dá para se entusiasmar com a velocidade. Tem horas que se vem
na boa, piso firme e do nada surgem aqueles bolsões de Talco. Nas primeiras
vezes eu quase infartava, me cagava, me apavorava, e tinha certeza que ia me
estatelar no chão. Só que não caia e com o tempo e os cagaços, fui percebendo
que esse talco é tão fino que não oferece resistência na roda da frente, que é
o que nos faz cair na terra fofa por exemplo. Se mantiver a tração e direcionar
a moto para onde se quer ir, como se não existisse o talco, a moto sai sem
problemas. O maior perigo desse talco é o que ele as vezes esconde. Crateras na
pista, valetas e pedras pontiagudas. Isso sim é um perigo.
Outro perigo também é que como a estrada é cheia de sobe e
desce, normalmente nas subidas a pista é lisa e pode-se subir acelerando bem,
só que lá no topo dos morrinhos tem as erosões e ai o sujeito vem embalado e
não da tempo de desviar e o impacto nos buracos e violento. Isso quando não se
entra nessas valetas de erosão e se fica todo desgovernado. Realmente hoje foi
bem perigoso para quedas. Me escapei de várias situações complicadas. Algumas
com sorte, outras com a habilidade que se vai adquirindo com o dia a dia nessas
estradas.
Concluindo, Itaituba é um horror de cidade e pelo pouco que
vi, Santarém também. Santarém só se salva devido a este balneário que tem,
Altér do Chão que é uma belíssima praia no rio Tapajós.
Estou agora aqui em Altér do Chão, para variar não tem
internet na pousada. Consegui me acomodar no redário, é, redário sim. A pousada
tem uma espécie de quartão coletivo para o povo que dorme em redes. Cobram R$
15 reais por cabeça e cabe umas 8 a 10 redes. Como hoje não em ninguém, fico
aqui com meu colchão inflável e tomo conta do campinho.
Prometo que vou salvar todos os textos no pen drive e amanhã
vou a uma lanhouse e publico todos. Pelo menos tem conteúdo para ler e assim
que der posto as fotos também. Se a lan for das boas, já mando algumas fotos
tmb.
Ps.: negociei com o tiozinho da posada, que fico num quarto
com ar, frigobar e TV por 25 pilas se não usar a roupa de cama e toalhas. Durmo
no meu colchão e uso minha toalha. Beleeeza.
Valeu pessoal. Quero agradecer os comentários e incentivos
recebidos dos amigos. Acreditem, essas postagens são para vocês.
Abraços e beijos
fiquei louco para me jogar de roupa e tudo nesse riozinho, desisti quando pensei como eu ficaria molhado andando naquela poeira toda. Viraria uma pedra de argila ambulante
Fim da terra. Antes de Santarém.
A bota foi pro saco, no barral descolou a sola, ou melhor, arrancou no tombo, era costurada e rasgou.
Santarém
Meu querido amigo,estou adorando os relatos sao espetaculares, mano véio, estou realmente viajando contigo. Parabéns.
ResponderExcluirUm grande abraço.
Lasareno.
Candiota RS.