Rodovia Transpantaneira 01


Dia 12 – Pantanal (Rodovia Transpantaneira)
Acordei 5:30, terminei de publicar as fotos que deixei baixando a noite toda, terminei de arrumar as malas e fui tomar o café da manhã de despedida da casa do Mano e da Elaine.
Tenho que fazer um aparte aqui para rasgar elogios a este casal maravilhoso. São os dois de ótimo astral, adoram receber motociclistas e são os líderes do Moto Grupo Lobos da Serra, de Chapada dos Guimarães. Adorei estar com eles, que me fizeram sentir super a vontade na casa deles.  SUUUUPER OBRIGADO MANINHOS.
Sobre a Chapada dos Guimarães:
Com certeza é um lugar a se retornar com mais calma para conhecer todas as atrações disponíveis. É uma região muito bonita mas, com o turismo ainda andando meio devagar, falta profissionalismo na administração de algumas atrações do local e ontem, segunda feira tinha muita coisa fechada, o que em uma cidade turística não pode acontecer nunca.
Bom, fui  para a estrada cedo em direção à rodovia transpantaneira. No caminho, passei por Cuiabá e Várzea Grande onde parei para um abraço nos motociclistas colegas do Brazil Rider’s,  Mauro e Mauro Filho. Mais dois amigos que saíram da condição de virtual para o real. Amanhã devo reencontrá-los para um papo mais longo.
Passando Várzea Grande, segui direto para Poconé, onde começa a parte de terra da transpantaneira.
Em Poconé reabasteci a moto e os dois galões de 5 litros que carregava, comprei um chinelo novo, pasta de dente e 2 litros de água e também tentei tirar dinheiro, mas a transferência que fiz ontem ainda não tinha caído na conta e vim só com 40 reais em espécie. Sei lá se vai dar.
Saindo de Poconé, os primeiros 40 ou 50 km, de terra são terríveis, é uma camada nova de terra na pista que formou  as benditas e irritantes costeletas, mas bota costeleta nisso, tá mais pra costelões do que costeletas. O treco é como se fosse um quebra-molas dentro do outro. Acaba com a moto. A primeira providência a ser tomada foi reduzir bastante a pressão dos pneus o que alivia mas não resolve. É como andar o tempo todo com uma britadeira nas mãos.
Terrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrívellllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll...
Depois desse trecho, a coisa melhora um pouco, mas pouco. Mais uns 50 Km e melhora mais, só que daí começam a aparecer as famosas bacias de poeira, terra fofa e soltinha, que é uma grande armadilha para os distraídos. O cagaço nos leva normalmente a puxar o freio, puro instinto, mas o correto é carca o acelerador e tracionar para equilibrar a moto. Mas isso requer prática. Portanto, se for para a terra, treine antes. Nessa hora também se mostrou muito eficiente o pneu Mitas 09 que coloquei para essas estradas. O bixo é bão mesmo e com o motorzão da XT para tracionar nos apertos, é só alegria e dar risada dos cagaços. Já estou com os dois trocados, tinha posto o trazeiro em Bonito e ontem coloquei o dianteiro lá em Capada.
Foi uma ótima opção, nessa estrada, com certeza viria na boa com os pneus originais, mas esse dá muito mais segurança e tezão de andar. Fiz a maior parte do trajeto a 30/40 km/h. O calor era tanto que foi impossível  ficar de jaqueta de cordura, aliás, equipamento extremamente inadequado para esse tipo de empreitada, o ideal seria, aqueles coletes de motocros.
Logo depois , numa das paradas para fotografar, também abandonei o capacete. Amarrei o treco na bagagem e vim de manga curta e sem capacete. O dia estava nublado, então não teve tanto problema com o sol queimando.
Essa situação durou por uns 100km, mas daí enche o saco andar tão devagar e suando às bicas. Mesmo sem sol, o calor é insuportável, andando até que ficava agradável, mas quando parava para as fotos, quase derretia. Os dois litros de água já acabaram no meio do caminho. O resto foi no seco. Nos últimos 60km recoloquei as roupas todas, luvas e capacete e resolvi andar mais rápido para Chegar logo, pois não agüentava mais o calor.
Essa estrada tem 170km a partir de Poconé e 150 depois do portal. Se vê vários animais, como Capivara, jacaré a da com o pau, tuiuiú, caturritas aos montes e outros mais que não sei o nome. Ainda antes de Poconé, na parte asfaltada, passei por um macaquinho atropelado. O coitado estava vivo no meio do asfalto e todo mundo passando por cima do bixo. Tive que parar e tirálo da pista, mas acho que não adiantava mais, o bixinho já estava bem mal e não tinha o que fazer. Deixei ali para a natureza resolver o seu destino. Pelo menos não foi esmagado no asfalto. 
Para variar o dia tinha que ter alguma trapalhada minha né, dessa vez foi com os camburões de gasolina. Quando enchi os dois no posto, que nem precisava tanto, amarrei eles um de cada lado da bagagem e ainda pensei: será que isso chega? É, não foi suficiente. Um deles se desprendeu de cima do alforge onde estava apoiado e caiu para baixo. Eu óbviamente não percebi e o desgraçado veio batendo no chão e se rebentou Dodô e os 5 litros de gasolina foram pro espaço. Mas tudo bem, só 5 já resolveriam o problema. Aliás, depois de Poconé não tem abastecimento. Eu achava que Porto Jofre fosse uma cidade, mas não é nem perto de vilarejo. É um lugar no meio do nada, ou melhor, no fim. Aqui termina a estrada e só tem um hotel béééém grande dos bacanas que vem para turismo e umas posadinhas béééémm toscas e hiper caras. Eu fiquei num tipo de portinho de pescadores onde tem uma pousadinha, ou melhor, uns quartinhos toscos e custa 150 pilas por diaaaa. A salvação é que também tem camping e esse é normal o preço, 20 pilas por pessoa. Tem vários pescadores acampados com todas aquelas tralhas de pescaria, barcos e tudo o mais. Na estrada passei por pelo menos 4 trailers de estrangeiros, todos americanos ou europeus, inclusive tem um casal desses aqui agora e adivinha quem foi o intérprete para o cara do bar na hora que a tiazinha queria pedir uma caipirinha? Hehehe To ficando craque nesse negócio de traduzir. Que chiqueza hem!!!
Nesse momento estou no restaurante aqui da sede do lugar, já jantei e tomei mais uns dois litros de água e continua a sede. Estou aproveitando as tomadas do restaurante para recarregar a bateria da câmera , e escrever  isto que acabam de ler. É lógico que nada de internet aqui né, nem luz tem, é na base do gerador. Portanto, fotos e a publicação deste relato, só amanhã ou depois.
Então, fica o dito pelo não dito e vice versa que eu vou tentar dormir, porque com o calor que está, sei lá como vou fazer para ficar fechado dentro da barraca. Se abrir uma frestinha enche de insetos, então...
Fui.

















 LUA CHEIA NO PANTANAL

Comentários

  1. Chico,
    Não esquece de proteger as botas.
    Creio que te falei isto, mas não custa insistir.
    Assim como os sapos se infiltram nas motos e nas botas, há aranhas que também gostam de se enfiar por ai.
    Abraço.
    PS. E a loira (aquela da pousada) da qual tu fugiu do preço ?? nem uma fotinho de regalo ?? kkkk

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  2. quando estive na transpantaneira, me hospedei em um hotel, num lugar chamado de Pixaim, foi uma das melhores partes da viagem... paguei R$ 80,00 pra pernoitar... e a certa hora um violeiro foi na beira da piscina tocar umas modas de viola, foi legal pacas... Pixaim fica entre Poconé e Porto Jofre...

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  3. Legal Chico, tô viajando contigo mano vèio, fica com Deus.
    Um grande abraço.
    Lasareno.
    Candiota RS.

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