Santarém - Manaus (pelo Rio Amazonas)

Santarém / Manaus
Bom pessoal, sai de Santarém na terça feira as 13h, foram dois dias de barco subindo o Rio Amazonas.
No domingo, quando cheguei a Santarém, fui direto ao porto para ver como funcionavam as coisas em relação ao meu embarque e da moto para Manaus. Como estava tudo fechado, falei com os guardas da marinha, ali presentes, e estes me indicaram uma das agencias, ali disponíveis. Chegando em Santarém na terça feira, fui direto a esta agência e para me informar dos preços e horários. Acertado o preço, fui pagar e ai é que fui lembrar de dinheiro, o que eu não tinha é lógico. Ando pagando tudo com cartão, mas como nos últimos dias tive que abastecer sempre em dinheiro, o pouco que tinha se foi. Lá fui eu atrás de sacar dinheiro e logo encontrei um supermercado com banco 24h. Mas, sempre tem um mas, minha senha nõ foi aceita e a do visa, eu nem sei. Ai complicou né. Mas não mesmo, nada como ser amigo do Gerente, hehehe. Liguei pro Sérgio e ele resolveu na hora para mim. Pronto, dinheiro no bolso, me fui pagar a passagem e o embarque da moto. Resolvi tudo antes de 10h, mas a moto, tinha que esperar que o barco fosse todo descarregado para só depois embarcar a moto.
Ai vem a sessão de terror. Eles queriam embarcar a moto por uma rampa, se é que se pode chamar assim, composta de um tabuão de 50cm de largura, e com uma inclinação de 45graus para baixo.  Acontece que o barco estava a uns 2metros e pouco abaixo do nível do píer. Tem as fotos da tabua ai.
Eu perguntei para o chefe do barco como eles fariam, e ele me disse que seriam amarradas cordas e a moto desceria pelas pranchas, que eram duas disponíveis. Daí tudo bem, achei bem seguro. Só que na hora ‘H”, nada de corda e muito menos uma segunda tábua. Foram dois malucos, um segurando pela frente e outro por trás soltando a moto rampa abaixo. Quando vi o que pretendiam, dei um grito e mandei parar e sai correndo para dar a volta, sair do barco e ir lá amarrar uma corda na moto, por que, se um deles pendesse a moto alguns centímetros para o lado, seria eles dois e minha moto junto tomando banho de rio. Quando dei as costas e fui sair do barco, já meteram a bendita na rampa e começaram a descer, ai quase enlouqueci.
Vi minha moto dentro do rio com certeza. E começaram a descer. Um vinha acocado atrás segurando pelos ferros dos suportes de baú laterais, e o outro só no guidão. E veio, e veio, e veio, até que...Pimba. Trancou a bolha na borda superior  do convés. E agora? Só inclinando pro lado, porque voltar não voltava mais, e o carinha de tras, já tava se peidando todo para agüentar o peso. Nessas, um outro maluco se pendura no guidão e grita inclina que passa e já foi puxando pro lado dele. A essa hora o de traz só gritava: não, não enclina que vou cair. Não agüento. Foi então que eu subi na murada do outro lado e agarrei uma mão na lateral do barco e a outra peguei com força o suporte lateral de baús da moto. Ai sim, se algum deles largasse eu segurava. E mandei inclinar. E foi, e foi, e foi, até que passou. Adesivo dianteiro todo ralado, mas foi, entrou no barco sem mergulhar no Tapajós. E eu obviamente, resisti a mais um teste de infarto pro meu coração. Mas que eu queria matar aqueles dois fdp. Há! Isso eu queria.
Passado o susto, isso foi lá pelas 12hs, fui achar um canto para me acomodar e conhecer melhor o barco. Me acomodei no terceiro piso, onde achei que seria mais fresco, e tinha menos gente. Nesses barcos ou você tem dinheiro para um camarote, que é um beliche, ou uma suíte que é com cama de casal e banheiro privativo, ou você vai no convés, no redário. Só o que eu não sabia é que tem que ter a própria rede e eu claro que não tinha. Resolvi que dormiria no chão, no meu colchão inflável e sem problemas. Até prefiro do que dormir em rede.  E segue viagem. Acomodei minhas sacolas e enchi meu colchão no canto bem coladinho da parede para não ficar no caminho e onde tinha pouca gente do lado. Ocupei o espaço de 3 redes com toda tralha.
No começo achei que seria um horror depois de certo tempo de viagem esse povo todo sem banho, mas me enganei, não só porque o barco tem chuveiros nos banheiros, mas também, porque o povo usa e abusa deles. Tomam banho toda hora. A maioria dos que estavam perto de mim e com quem interagi um pouco, tomavam dois banhos por dia. Mais que eu o porção.
É que na verdade só fui me dar conta dos chuveiros lá no final do dia e mesmo assim resolvi dormir sem banho. Claro que no segundo dia quando acordei a primeira coisa foi tomar banho e depois tomei mais dois durante o dia. Banho frio é lógico, mas a água aqui nem é fria e cm o calorão que faz nem precisa mesmo, até é refrescante um banho frio.
Lá em Santarém onde tinha ido sacar dinheiro, era no caixa eletrônico dentro de um supermercado, então aproveitei e comprei bastante coisas para comer, tipo: um litro de achocolatado e 9 barrinhas de cereal. É tudo isso. Mas é que tinham me dito que a viagem saia num dia e chegava no outro a tardinha, então não precisaria de muita comida. Comi tudo isso no primeiro dia e no segundo, fiz as refeições no barco mesmo, que tem uma lanchonete com várias porcarias e tem cozinha que serve as refeições principais, como: café da manhã = R$3,00(pão  com mortadela e queijo e mais ovos mexidos, que eu punha dentro do pão também. )Almoço = R$ 8,00(um prato feito com macarrão e alguma carne e uma saladinha) e janta= R$ 8,00( mesmo esquema do almoçoBom, minha passagem custou 90 reais e a moto R$ 110,00. Preço bem  bom, considerando que se fosse rodando gastaria daí pra mais.
Sobre a viagem no rio em si, é muito bonita. Sei que alguns que já fizeram esse trecho ou semelhante, acham que depois de alguns kms fica todo monótono, pois é tudo igual. E é mesmo tudo igual, mas eu nunca conseguia parar de admirar a beleza dessa terra. Mesmo sendo tudo igual, cada árvore, cada vilinha de ribeirinhos, e cada pássaro visto pelo caminho sempre parecia diferente. É tudo muito imenso e lindo por aqui. Monótono ou não tem que vir uma vez pelo menos para ter noção de como é a coisa.
A grande peculiaridade do barco, e o que torna a viagem mais sacal ainda é que desde que saiu do porto até o outro porto, fica o dia todo tocando música a tooooooooodo volume no convés superior, onde fica a lanchonete e onde eu estava dormindo. Cara! É absurdo o volume do som, e toca o di tooooooooooodooooooooooooooooooooo. Começa as 7 da manhã e só desligam depois das 11 da noite. O negócio é realmente absurdo. Pior é que tinha uns 3 ou 4 que ficavam ali o dia inteiro na frente da caixa de som. Pra chegar na lanchonete e pedir alguma coisa não tinha como. Tinha que ir na portinha do lado que ficava atrás da caixa de som e berrar com a menina para ela tentar te escutar e tu tentar escutar ela. Era conversa de loucos. Pior é que todo mundo fugia desse som ridículo e então não entendo porque o mantém assim. Duvido que haja uma pesquisa de opinião sobre manter esse troço ligado e se for, se é pra manter aquele volume todo. Sei lá, mas já recomendo, se for fazer essa viagem, leve protetores auriculares. Outra opção, é ficar no andar do meio, em baixo do som. Ali quase não se ouve o mesmo, apesar de ser bem mais quente que em cima. Acho que é por essa razão que ali lota logo. Antes do barco sair eu achava que era por causa do balanço, mas percebi que não balança nada, nadica de nada mesmo. Nem parece que se está navegando.
No segundo dia, lá pelo final da tarde, um pouco antes do anoitecer, começou a se formar uma enorme tempestade na nossa frente e lá fomos nós em direção a ela. Muuuuuito vento,  e muuuuita chuva, mas maias uma vez, fora a zueira do vento e da chuva, o barco nem ai, seguia tranquilão, sem balançar quase nada. Minha sorte é que são tempestades passageiras e em pouco mais de 3 horas parou tudo. Digo isso porque eu, o único alienígena ali estava dormindo no chão, que molhou todo. As redes nem tomam conhecimento. Mas tudo beleza, assim que parou a chuva, meia hora depois tava tudo seco. Buenas pessoal, sobre a viagem de barco é isso ai, logo que der ponho as fotos do rio e suas peculiaridades.
Estou agora na casa do pessoal do moto clube aqui de Manaus. Quem me recebeu nas docas foi o irmão do Brazil Rider’s , Marcos Magalhães, me levou até a revenda Yamaha, onde o gerente é o conselheiro do Bazil Rider’s  aqui do Amazonas, e depois vim aqui para a toca deles, já fui almoçar na casa do Ramayana, também do Brazil Rider’s e stou de volta aqui, escrevendo e esperando a minha roupa ser lavada na máquina da casa.  Mais tarde, depois do expediente do povo, vamos dar umas voltas pela cidade e ai isso é assunto para as próximas.
Abraços a todos.
Fotinhos só amanhã.
Fui
















































































































Comentários

  1. Bah, CHICO,
    Teu relato me deixou com uma saudade enorme de minhas andanças pelo Rio Amazonas. Em 2008 fiz o trajeto Manaus-Belém (com direito ao paraíso "Alter do Chão", em Santarém (belas lembranças).
    Mano, "perca tempo", vá ao Teatro Amazonas e ao "Encontro das Águas". (dois baita espetáculos. E no mais que siga aproveitando.

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  2. Sensacional Chico. Estou viajando junto pelos seus relatos.

    Aproveite ao máximo sem se preocupar com o planejamento inicial. Muitas vezes os "remendos" ficam melhores que o original.

    Se precisar que mande a embreagem por sedex avisa, modelo etc. que providencio por aqui!

    Boa viagem e até Cachoeiras de Macacu!!!

    Bruno (Speed Rider)

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