Belém do Pará – Carolina (Chapada das Mesas)
Terça feira
Acordei super cedo, mas não consegui sair da cama. Estava realmente muito cansado. Acho que é cansaço acumulado somado às deficiências causadas pela diarréia.
Levantei só as 6:30. Fui tirar a moto do estacionamento, ao lado do hotel, voltei e fui feliz da vida comer meus pães com salame, mel e queijo que eu tinha comprado quando cheguei e não podia comer por causa do intestino. Fiz um belo dum sanduiche e mandei ver, junto com dois copões de Nescau. Eita coisa boa poder comer de novo sem preocupação. Se aquele “X” de ontem não fez mal, tá tudo bem.
Barriga cheia, voltei ao quarto e comecei a arrumar minhas coisas e a carregar na moto. Quando desço do quarto dou de cara com minha amiga Belga, a incomunicável. Tentei conversar algo com ela, mas foi difícil. Só que deu para sentir um clima de “que pena, já vai embora? Ela quase chorou de desespero. ... É brincadeira né, mas bem que podia ser verdade se rolasse uma comunicação melhor. Que rolou um clima todos os dias nos olhares rolou com certeza. E ainda por cima deu clara mente para entender que quando ela perguntou, em inglês, para onde eu ia, e respondi:I GO to Chapada das Mesas, Very Falls.
E ela: Yeh! I like falls. Do you from the bike
Eu: yes
Ela: Uau, very good, very good. I like bike. Very good.
Ai me deu vontade de dizer pode vir junto, mas e da onde é que saem as palavras.
Bom, deixa pra lá. E segue o baile. Mas que era uma belga bem linda era.
Na saída da cidade paguei o preço pela hora de sono a mais, assim como pagaria de novo no fim do dia. Peguei um baita engarrafamento, acho que levei uns 40/50 minutos num trecho que ontem a noite, fiz com o Ivan em 10 minutos e o calor pegando. Por sorte estava meio nublado e aliviou um pouco.
Finalmente na estra, começa aquela sensação esquisita na barriga de novo. Ai, ai, ai, será? Pois é, era. A maldição amazônica me seguia. Começa a procura por um posto com uma aparência mais ou menos, para ver se tem um banheiro descente. Pelo menos, quando se está sentado na moto as vias de saída estão sempre precionadas e da pra segurar a onda um pouco mais, se não, seria uma tragédia. Alguns kms a frente, quando já estava quase apelando para o matinho, chego num posto Texaco, da Rodo Rede, enorme, com uma baita infra estrutura,  e tem uma vaguinha béeem na frente da entrada dos banheiros. Atiro a moto ali, só tenho tempo de arrancar a mala de tanque com a câmera, a chave e entro correndo no banheiro.
Mentira. Na verdade, morro mas não perco a pose. Desci da moto, fazendo uma baita força pra segurar a avalanche, praticamente nem respirava mais, tirei o capacete com calma, mas não muita, as luvas, a mala do tanque e sai caminhando, disfarçadamente, para a entrada do complexo, tipo shoping, onde ficam os banheiros. Por sorte é a primeira porta. Ai sim, quando entrei e vi que não tinha ninguém, corri para os reservados, entrei onde é para cadeirantes, tinha mais espaço para as tralhas e a portinha já estava aberta, jóquei a bolsa e a jaqueta no chão, ai comecei a soltar a calça. Putz, tem a pochete atrapalhando, tirei a tranqueira, joguei no chão e ai começou a festa. Uffaaa!!! Foi-se tudo que tinha comido e mais um pouco. Que merda, agora é mais um dia sem comer. Já to de saco cheio dessa rotina.
Sem querer, foi providencial ter usado o espaço dos cadeirantes, porque ali tem uma duchinha para lavar o fiofó bem boa para essas eventualidades. Sai bem limpinho e faceirinho. Feita a higiene básica, fui na loja de conveniências compras água, aliás, foi a AM PM mais bonita que já entrei, completíssima, enorme. A Texaco, atualmente, faz parte do grupo Ipiranga, então a estrutura dos postos é igual aos Ipiranga. Muito boa sempre. Aliás na estrada, posto bom, ou é Ipiranga/Texaco, ou é BR. O resto é raro ter estrutura com lojas de conveniência e bons banheiros. Mas tem que avaliar bem, pois as vezes acontece o inverso. Esse banheiro que usei, parecia banheiro de shoping, grande , novo e limpo. Um luxo.
Estocado com minha aguinha, segui viagem. Hoje, apesar de quente, não está tão massacrante, pois tem sempre uma nebulosidade o que reduz bastante o calor. Brabo é quando abre o sol, ai mesmo com a velocidade, o capacete e a jaqueta de cordura, parece que fritam.
Quero pedir desculpas a todos, mas hoje sacaneei vocês, quase não fiz fotos. A grande distância, o mal estar em virtude do calor e da diarréia e a ansiedade em chegar logo, me fizeram não tirar a mão do acelerador. Até havia momentos que eu ficava procurando algo interessante para fotografar, mas nada me chamou a atenção, então: pouquíssimas fotos hoje.
Cheguei em Estreito, Divisa com Tocantins, a beira do rio Tocantins já bem no finalzinho do dia. Abasteci e cheguei a tentar algum hotel para dormir e não viajar a noite. Faltavam ainda 90 km até Carolina e eu sabia que uma das atrações da Chapada, ficava alguns kms antes de Carolina então assim eu evitaria ter que ir e voltar um pedaço no outro dia, mas os preços dos hotéis por aqui são caríssimos para o que oferecem. R$ 75,00 sem garagem e sem internet. Desisti, vou em frente. Nessa procura por hotel já era noite quando retomei a estrada. Ainda errei o caminho, atravessei a ponte e segui mais uns 15 km ante de me dar conta que estava entrando no Tocantins. Voltei e ai sim, vi as placas que indicavam Carolina. Só tem para quem vem do Tocantins, vindo pelo maranhão, de onde vim, não tem placa nenhuma. Tem que entrar em Estreito e pegar outra estradinha.
Mais uma hora e to na cidade. Entrada horrível para uma cidade que se auto-intitula a capital da Chapada das Mesas. Aliás, a cidade toda não tem nada de mais. As atrações são nas redondezas. Tem-se também, que dar o desconto que, faz muito pouco tempo que a região foi descoberta como centro de turismo.
Rodei, olhei algumas pousadas e acabei na Pousada dos Candeeiros, dizem que é a melhor da cidade. O preço era quase o dobro das outras, mas com o velho e bom choro ficou quase igual. O fato de ser meio de semana também ajudou. Hoje tem meia dúzia de cabeças aqui, mas na sexta disse a recepcionista terá mais 85 pessoas. Daí já fui. Hehehe.
Peguei o quarto simples, bem na frente. Boa cama e banho frio. Banho quente só nos de luxo.
Aliás, a única diferença entre o luxo e o standard é a TV a cabo e o banho quente. Coisas que nem me passa pela cabeça usar. Banho frio aqui é normal e ótimo. Na hora de entrar é como aquela água de piscina no verão que a gente põe a mão e acha fria, mas depois que mergulha e sente o primeiro choque, não quer mais sair de tão bom. 
Entrei no quarto, descarreguei a moto, larguei tudo no chão e fui procurar um mercadinho para comprar uma água de litro e um refrigerante. Rodei por todo lado e não achei nada aberto. Isso era 8 e pouco da noite. Então voltei, e tomei a água do frigobar mesmo, bem mais caro, mas azar. Comecei a preparar minhas coisas para tomar banho e dormir. Estava mortinho. Sentei na cama, com a sacola na frente no chão aos pés e fui retirando as coisas. Muito cansado, dei uma deitada pra traz para espichar as costas e comecei a pensar na vida um pouco. Não pensei nada e se pensei já esqueci. Apaguei na hora ali mesmo, sujo, vestido, fedendo e tudo mais. Dormi como pedra. Para ter uma idéia, quando cheguei da volta atrás de mercadinho, vi na calçada, numa espécie de barzinho ao lado da pousada, umas caixas de som daquelas enormes, como as do barco. Aquilo me deu calafrios. To no quarto bem da frente com janela para a rua. Perguntei para a menina do hotel o que era aquilo e ela disse que teria uma espécie de seresta. Eu perguntei se tocavam até muito tarde e ela disse que talvez sim, que era a primeira vez que teria. Eu pensei: é a maldição, não pode ser. Bem no dia que chego.
E do lado praticamente da minha janela.
A garota ofereceu outro quarto mais para os fundos. Fui olhar e não gostei. Vou encarar a seresta.
Bom, como disse, apaguei e nem ouvi seresta nenhuma. Acordei lá pela uma da manhã e ai sim, ouvi as músicas. Beeeeem alto o som e aquele tipo de musica a lá Luiz Gonzaga. Só consegui ouvir o finalzinho de uma e o começo de outra. Fui no banheiro fazer xixi, e resolvi tomar meu banho, mas quem disse que tinha força para alguma coisa. Só desliguei o ar condicionado que estava congelando minhas tripas e fui dormir de novo.
Acordei 8h da manhã morrendo de calor. Levantei, abri as janelas, olhei pra fora e o céu estava negro. Fui pro banho e que banho bom. Quando sai do banheiro já estava chovendo aos cântaros. Fui tomar meu café, é, já sei o que estão pensando: e o intestino? Sei lá. De novo não estou sentindo nada e sabe duma coisa que se dane. To morrendo de fome e vou nessa.
Comi de tudo e como vou ter que ficar aqui de molho, até parar a chuva mesmo, se der revertério tá tranquilo.
O legal é que ficar nessa pousada estilo colonial com essa chuvinha lá fora é até bem agradável, não fosse meu roteiro e ter que ficar pagando para ficar parado seria bem bom curtir isso aqui. Outro fato interessante é que como é tudo meio original, inclusive as telhas, choveu pra dentro de tudo. Milhares de goteiras na pousada toda. Felizmente nos quartos, pelo menos nesse em que estou tem um forro de alvenaria, então não tem goteiras, pelo menos por enquanto. Fui olhar para cima agora e percebo alguns pontos de umidade surgindo no teto. Deve ser uma camada de cimento muito fina e como há várias goteiras acima, deve ter água se acumulando no forro e começa a infiltrar. Se a chuva continuar forte devo ter goteiras por aqui logo, logo também.
 Em algum lugar saindo de Belém. Deve ser a versão mirim do Cristo Redentor, antes de ficar adulto e se mudar para o Rio de Janeiro
 A BR010 de Belém à Estreito é isso ai, retas e mais retas. Cheguei a dar uma dormidinha uma vez. Mas foi na reta, então, tudo bém.



 Divisa do Maranhão com Tocantins



 Visual da minha janela na Pousada dos Candeeiros em Carolina









 Fazer rafting não estava nos meus planos, mas para sair da pousada só de canoa corredeira abaixo. 
Vou ficar aqui bem quietinho

Comentários

  1. Dá-lhe Chicão.......assulera a xtzona aí que tamo acompanhando todo dia daqui.....muito massa !!!!!

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  2. Chico: Estamos acompanhando essas peripécias, inclusive amorosas - he he he

    Siga com Deus e te cuida !

    Cicero

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  3. Baita passeio, mano CHICO.
    Agora sabemos que tem a "mardição amazônica". kkkk
    Dê-lhe água para hidratar mano véio e feliz viagem.

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