Santiago do Chile - Passo Cristo Redentor - Mendoza, AR - Chos Malal



Dia 21 – Santiago do Chile
Hoje acordei relativamente cedo, não muito, depois de uma ótima noite de sono, Comi o desayuno preparado pelo grande anfitrião Juan Arenas e logo saímos para o bairro de Santiago onde ficam todas as lojas de motos. Passamos primeiro na Yamaha, onde comprei o filtro de ar e alguns outros acessórios e depois fui trocar o óleo.  Terminamos esta função toda já era mais de meio dia e fomos para casa almoçar. A tarde fomos a um centro comercial para comprar meu HD, onde possa descarregar as fotos e filmes da viagem. Rodando pelas lojas constatei que os preços das roupas e calçados aqui é em média 30% menos que no Brasil, sem contar que tem uma variedade diferente. Comprado o HD, também bem mais barato que ai, fui comer um sorvete, uma banana split gigante. Não consegui dar conta. Já quando íamos saindo, encontramos o Carlos F. Hermosilia, e fui junto com ele para a sua casa onde conheci sua família mui simpática. Me apresentou alguns itens raros de sua coleção de armas, me serviram uma comida típica do Peru, “papas.... com um molho suuuuuper apimentado”, tomamos um bom vinho chileno de 15 anos e mais tarde jantamos.

Dia 22 – Santiago – Mendoza
Sai de Santiago por volta de 9h, sem GPS, o meu já deu o que tinha que dar e se rendeu. Com a explicação e o mapinha do Juan, foi muito fácil achar a saída.
Lá fui eu em direção a montanha. Viagem tranquila, com belas paisagens, muitas curvas e pouco movimento no meu sentido. Cheguei ao passo fronteiriço, Cristo Redentor, e lá tem uma cancela com uma guarita e um guardinha dentro. Ao passar ele te entrega um papelzinho e te despacha. Fiquei com a pulga atrás da orelha e perguntei: mas e a aduana? Ai ele explicou que era mais adiante e que eu a veria. Segue o trem.
Fazia um frio danado e eu comecei a passar um monte de ônibus de turistas e de imediato comecei a imaginar aquele povo todo na minha frente na aduana. Moral, comecei a parar de fazer fotos e a andar mais que os ônibus para chegar antes na aduana. Nessa aflição, vejo a plaquinha do monumento natural “Las Puentes Del Inca” . Nem pensar em parar para fotos, com aquele monte de ônibus para chegar na aduana atrás de mim. Passei reto. Buenas, e de repente, nada mais de ônibus na estrada. E a pulga da orelha começou a coçar novamente. Parei para perguntar a uma pessoa e Esta me informou: adelante, adelante. Buenas, La me vou, adelante. Ums 15 km depois lá estava novamente a tal cancela com uma guardinha desta vez. Peguei o papelzinho, que me pediu, e entreguei. E os carimbos de las aduanas me perguntou ela.  –Eu, que aduana? Não é aqui? –ele- no,no, és 17 km arriba, antes de La puente Del inca.
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Lá me vou eu. 17 km montanha acima. Achei o local. Tem uma placa até bem visível na estrada, mas é um prédio que eu vi quando passei mas não se via um único carro e nenhuma viva alma. Achei que era algo desativado.
Também pudera, o negócio é um complexo multi fronteiriço e é tudo interno, até os ônibus entram lá para dentro, havia vários. Não se vê nada de fora. É enorme e feito para atender no frio do inverno.
Em primeiro lugar meu temor com os ônibus foi a toa, há uma fila só para eles e outra para veículos particulares. Tudo muito organizado e rápido.  Fiz os tramites, morrendo de frio, fui ao banheiro e me mandei. Nesse vai e vem a fome pegou e resolvi, já que não havia mais pressa, parar na ponte inca. Fiz umas fotos, comi algo, um menininho fes o favor de derrubar todo meu suco, me aqueci um pouco e toquei em frente.
Fim de tarde estava em Mendoza novamente. Fui direto ao hostel que ficara na ida, me instalei, sai para comprar comida e voltei para comer. Neste meio tempo, conheci minha colega de quarto, uma francesa mui hermosa, chamada Cloé. Por sorte ela entendia bem o espanhol e nos entendemos fácil. Depois fui atualizar as fotos e o blog. Quando terminava de baixar as fotos a Cloé me veio pedir para usar meu computador para baixar as fotos dela que no  computador do hostel era muito complicado. Ficamos mais um tempo de conversa e fomos dormir.  



































Dia 23  - Mendoza – Ruta 40 Sul
Sai 9h, abasteci, saquei 500 pesos para a viagem e me mandei ruta 40 abaixo. Até a cidade de Malargue, é uma paisagem feia sem atrativos a partir daí começa a chegar perto das montanhas de novo e tudo muda. 60 km depois de Malargue, a coisa muda bastante. No mapa, esse trecho da 40 é todo de asfalto. Triste ilusão, já foi um dia. O asfalto foi pro brejo e arrancaram tudo o que faltou com a patróla. É rípio puro mas mais ou menos bom, bem compactado.Minha ideia era pelo asfalto chegar até Chos Malal no meio da tarde. Quando passei em Malargue, fui abastecer, apesar de ainda ter mais de meio tanque, o suficiente para 200km, e não aceitavam cartão de crédito nos postos da cidade. Como a próxima cidade era a 60 km, e tinha posto lá resolvi seguir. Claro q quase da merda. O posto é um Sr que cuida sozinho e ele tinha saído da cidade sem previsão de volta. Por sorte consegui com um comerciante local 10l a U$ 1,00 o litro, ou 9 pesos. Ágio de 20%. Tranquilo. Paguei e fui. Ai nesse trecho de estrada encontrei com um grupo de Chapecó que viajavam em 20 motos com um carro de apoio.  Coisa de loko mas eles dizem que se entendem. Daí em diante, tem alguns trechos em obra de reconstrução da rodovia e muitos desvios perigosos de rípio e mais adiante começa realmente um trecho de +- 60 a 70 km só de rípio. Isso tudo me atrasou bastante e já cheguei ao fim do rípio com o sol se pondo atrás das montanhas. Muito lindo, mas preocupante uma vez que eu estava completamente sem noção de onde ficava a próxima cidade. Eu já rodava a algum tempo pelo asfalto, esse bem novinho e perfeito, quando veio a placa da próxima cidade: Barrancas, logo depois da divisa de província entre Mendoza e Neuquen. 
Mais algumas curvas e lá estavam as vacas. Duas, uma preta, e outra marrom. Cheguei a uns 50 m e parei. Lentamente a marrom saiu para o lado esquerdo e a preta para o lado direito onde tinha um barranco para cima. Subiu até um ponto, e parou ali, até por que, não dava para subir mais. Comecei a andar bem devagar e elas não se mexeram. Ai é que veio a merda. Como ficaram imóveis, achei que tinham me esquecido e eu resolvi tocar em frente e acelerei, só que acelerei para passar logo e como era uma descida e essa moto tem uma arrancada muito forte e logo tomou velocidade. Nesses 30 m devo te chegado a uns 80km/h.  No momento que engatei a segunda marcha a vaca do barranco, simplesmente deu um pulo acrobático e veio direto para a pista, bem na minha frente. Com o susto, me grudei nos freios dianteiros e a roda derrapou e a moto tombou para a frente.  Ai era eu berrando, “vaca fdp” e sentindo a moto escorregar lomba abaixo por cima de mim. Comecei a empurrar a moto com a outra perna para livrar a de baixo e ainda vi a fdp da vaca pular por cima de mim. Acho que deslizei uns 15 a 20 m. A bota de motocros, super reforçada salvou-me de estraçalhar a perna e as roupas super resistentes me salvaram a pele literalmente. Lembro cada fração de segundo do que aconteceu, e percebia nitidamente a moto sobre mim me esmagando e arrastando contra o asfalto. Sem as proteções adequadas e de qualidade, tinha comido tudo até o osso e, no entanto, mal fez uma escoriação no joelho e num dos dedos da mão.
Passado o susto, xinguei a mãe da vaca mais umas 10 vezes e comecei a, muito devagar, começar a ver o que podia ser mexido. Sempre se começa pelos dedos e ai vai mexendo o resto. Consegui sentar e percebi que além da perna, que de cara já sabia que tinha rebentado, também minha mão esquerda estava estranha. Logo tratei de não movimentá-la mais.
Bom, a estrada não passa quase ninguém, desde que tinha voltado o asfalto, mais de meia hora antes, não tinha passado por ninguém. Por sorte, em poucos minutos, acho que 10 ou 15, passou um carro com 3 rapazes que tiraram a moto do meio da pista me deram água e foram chamar o socorro. Daí veio a polícia e junto a ambulância, me levaram ao posto de saúde de Barrancas mas como não tinha raio x, fomos a outra cidade próxima. Constatadas as fraturas, fui imobilizado e mandado em outra ambulância para Chos Malal, onde havia o médico traumatologista.  Eles me examinaram e concluíram que eram fraturas simples e estáveis, nada de mais e já me engessaram e me internaram. No dia seguinte, já entrei em contato com meu irmão que acionou o seguro para providenciar meu retorno para casa.
Estou bem, sem dores, muito bem tratado e cuidado por aqui. A moto, a princípio,  a ideia é deixá-la em Barrancas aos cuidados da polícia local e quando me recuperar, volto para buscá-la.

Comentários

  1. Realmente não se pode confiar em vacas!
    Boa recuperação e boa sorte, mano!

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  2. Estas vacas são umas vacas tchê, eta bichinho sem vergonha mesmo.

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