MANAUS


Manaus terça-feira
A idéia era acordar cedo e se mandar para o centro para comprar a passage no navio para Belém e tratar do embarque da moto. Logo cedo, recebi um torpedo do Shigueo convidando para um café lá na loja da Yamaha.
Má comé que eu vou saber chegar lá diabos. Malemal entendi a direção que tenho que tomar para chegar ao centro e ao porto consequentemente. Sem chance. Vou resolver minhas coisas. Tomei meu café da manhã, pão com requeijão e uma goiabada que achei a muito custo. Aqui no norte o povo não tem o costume de comer doce com o pão e foi uma briga achar essa goiabada. Pouquíssimos mercados vendem. Geléia então, nem pensar, não tem em lugar nenhum. Só vi geléia de mocotó.
Tomado o café, peguei a moto e segui para o porto como o Ramayana tinha me indicado. Era barbada, só dobrar uma esquina e seguir sempre reto. Eis que nunca saberei se era isso mesmo. Dobrei a tal de esquina e segui sempre reto e de repente, to parado numa sinaleira(semáforo, farol, etc), olho pro lado e vejo nada menos que a loja da Yamaha.
Hehehe Eu sou o máximo, achei a loja do Shigueo. Tô falando, já to quase um manauara.
Entrei é lógico, tomamos uma água e o Shigueo me convidou para ir com ele e outro parceiro dar um role na ponte nova. A! Esqueci de mencionar, ontem não rolou passeio. Os caras abriram a ponte para os pedestres e o povo invadiu a ponte. Deu até confusão com a polícia, ouvi falar. Fomos hoje então. O terceiro elemento dessa empreitada não apareceu e fomos só eu e Shigueo. Belo passeio, passamos a ponte e fomos até um lugar lá não sei onde, uns 20 Km depois da ponte, onde servem o tal de café regional. Não fiquei sabendo o que é. Tinha me enchido de pão logo cedo e estava satisfeitíssimo. Nesse local tem também um criatório de peixes da região, onde se escolhe o peixe na hora e os caras preparam para ti. Muito legal. Tirei umas fotinhos com minha super 3 mega pixels e nem vi como ficou ainda, mas posto aqui depois.
Terminado o passeio o Shigueo me deixou no porto e seguiu para o trabalho. Fui lá negociar o frete da moto  e comprar a passagem. Falei direto com o gerente do navio, que é o filho do dono que é deputado. Tem que ver a figura. O legítimo coronelão. Com bigode e tudo. Conheci ele depois e é gente bem simpática. Acertei o embarque da moto para o fim da tarde, hoje ainda, para facilitar. Amanhã seria muito movimentado. Resolvido o frete fui comprar a passagem. Esta achei melhor comprar direto no guichê do porto, pois lá posso pagar com cartão e a grana viva tá no fim. Não é que chego no guichê e pago com dinheiro. Burrrrrrooooo!!! Era para ser cartão tonto. Agora não sobra nem para o frete. Mais uma mão, tem que sair atrás de transferir dinheiro para a conta que pode sacar nas lotéricas e amanhã antes do navio sair, saco aqui mesmo no porto.
Bom,sai, comprei uma rede na primeira lojinha que vi e que aceitou cartão e me mandei pra casa. Dei umas voltas meio perdido, mas logo achei umas plaquinhas dizendo o nome do bairro e segui até me achar. Barbada. Resto do dia de molho e arrumando as tralhas.
Tentei atualizar um pouco o blog, mas não deu muito. Problemas com a conexão de internet, mas tudo bem. A noitinha o Ramayana apareceu e me deu uma carona pro porto para embarcar a moto. Como a coisa meio que se demorou e ele tinha um compromisso, ele foi e eu fiquei lá esperando o embarque. Depois veio o Dieles e o ......... para me dar a carona de volta. Beleza irmãos. Apoio total. Fomos para a casa onde eu estava, e ficamos ainda um tempo de papo e ainda comemos um pizza na padaria da esquina. Bucho cheio, onegócio agora era dormir.























Quarta feira - dia a partida
A saída do barco estava marcada para as 10h, como queria pegar um lugar legal, fui bem cedo para o porto. Peguei um táxi e me mandei. Chegando lá, queria descer com o táxi até as docas para não ter que pagar  carregador, pois sozinho para levar tudo seria complicado. Entramos no portão e fui informado que o carro para descer tem que pagar pedágio de 10 reais. Ridículo. Disse pro cara do táxi dar a volta e me deixar na frente doporto, onde entram os passageiros a pé. Daí o infeliz me disse que tinha que dar um voltão enorme e era melhor eu descer ali e andar os 200m até lá. Só que com o peso em tralhas que carrego seria impossível. Resolvi então pagar o tal pedágio e descer de carro mesmo. Nesse vai e volta, que não deu mais que 3 minutos, já tinha um fila enorme pra descer de carros e caminhões. Moral da estória, acabei pagando mais 18 reais só de taxímetro na fila e ainda os 10 que o imbecil tinha falado que era, era na real 13. Sem contar que já tinha pagado no dia anterior 30 de taxa de embarque da moto, só para passar no maldito e salafrário portão.
Descemos a rampa e eu já bufando de raiva e xingando todo mundo. Super irritado, desci do carro, peguei minhas malas no porta malas, bati a tampa e me mandei pra dentro do barco. Escolhi um lugar, comecei a arrumar meus trecos e de repente deu o estalo.
PPPUUUUUUUUUUUUUUUUTTTTTTAAAAAAQQQQQQUUUUUEEEEEEPPPPPAAAARRRIIIIIIIIUU
Deixei, nada mais nada menos que minha mala de tanque com a máquina de fotografia e a mochila com o computador dentro do taxi. No banco de trás. Meus 3 óculos, a outra super máquina de 3 mega pixels, todos os DVDs com as fotos da viagem salvas, Cartões de memória de todas as máquinas, modem para leitura do cartão do banco para as transferências de dinheiro, em fim...FFFFFFFUUUUUUUUUUUUUUDDDDEEEEEEEEEEEEEUUUUUUUUUUUUUUU.
Menos mal que fiquei na super pochete com os documentos todos, os cartões e a grana que sobrou.
 Tô vivo
Logo me liguei que ao entrar no porto fica registrada a placa do carro. Conferi no recibo e fui no ponto de taxi , na frente do porto pedir para os caras chamarem o loko pelo rádio. Nada. Cada empresa tem uma freqüência e ele não respondeu, ou não quis né. Voltei pro Barco, Tentando pensar no que fazer mas a mente travou. Me acalmei um pouco e pensei em ir a polícia e pedir ajuda aos colegas da cidade. Perguntei ao Marquinho, dono do barco, onde ficava a delegacia mais próxima, expus minhas intenções e ele disse: perai, que vou ligar pro Sergião, que é da polícia e ele pode te ajudar. Dito e feito, ligamos para ele, me identifiquei como sendo da perícia do RS e ele na hora entrou em ação. Disse qu pela placa entraria no sistema e veria o que era possível fazer. Nesse meio tempo, tentei seguir o condelho de um outro taxista, de ligar para a rádio X, que todos os taxistas ouviam e pedir para darem uma chamada pelo cara. Com poucos créditos no celular, fui comprar um cartão de orelhão e tentar ligar. Só tentei em doze orelhões pelo centro no entorno do mercado, nenhum funciomando. Desisti dos malditos e fui comprar créditos para o meu celular. Comprei o cartãozinho, sentei em uma mesinha na área de alimentação do porto, onde circula muuuuita gente e ai me dei conta que os óculos já eram, estavam na mochila. Levantei e fui até um balcão de informações pedir para uma menina ler as micro letras para mim e coloquei os créditos. Já qie estava ali, porque não beber uma água. Fui pedir e cadê a carteira. Mete mão aqui, mete mão ali e nada. Sumiu. Há, ainda não contei que já tinha sacado o resto do meu dinheiro todo na lotérica ali ao lado. Bom, ai pode imaginar né. Aliás nem dá pra imaginar. Devo ter passado por todo o espectro de cores existentes, terminando no branco gêêêloooo. Gêlo total. Paralizei. Não sabia se ria, gritava, chorava, me atirava no chão, sei lá. Foram os segundos mais desesperadores que passei. Muito pior do que ter perdido as mochilas.
Pensei comigo mesmo: calma cara, não surta e pensa. Calma e pensa . Calma e pensa...............................................................................................................................................
Bom, isso tudo deve ter durado uns 10 segundos, infinitos 10 segundos. Olhei para a mesinha, lá no meio de toda aquela gente, e...e...não é que a desgraçada da carteira estava ali mesmo.
UFFFAA!!!
Caras; Vocês não tem idéia. Eu já tinha perdido uma máquina de fotos de mil pilas, um notebook, todos os meus óculos de sol e de grau, todas as minhas fotos, tooooodaaaaas e de repente mais essa. Some minha carteira com toda a grana, cartões de crédito e documentos. E minha moto lá, dentro do porão do navio, saindo para Belém do Pará.
Fiquei ali naquela mesinha em estado catatônico por sei lá quantos minutos.
De volta a consciência, fui para o barco ver se tinha notícias do Sergião e chegando lá fui direto para onde tinha montado minha rede e deitei. Minha cabeça estava esgotada. Precisava retomar meus pensamentos para proceder com calma dali pra frente. Eu tenho esse problema, quando me emputeço com algo, tendo a perder a atenção em tudo o mais que está a minha volta e acabo fazendo dessas, como esquecer das bolsas no taxi e a carteira em cima da mesa.
Fiquei ali uma meia hora e ai resolvi que achando ou não as bolsas, seguiria viagem com a moto. Para isso, precisava de uma nova toalha de banho, sabonete, desodorante e escova de dentes. Fui às compras. Quando voltei. Liguei para o Sergião e nada. Nisso o navio saiu do porto e foi atracar em uma balsa ali perto para terminar de carregar o que precisava. Fiquei ali um tempo esperando e resolvi sair e comprar um cartão de memória novo para a máquina que havia ficado, sim, sobrou uma, mas daqui pra frente, só fotos, essa não faz filmes. Só sobrou porque como eu não a vinha usando, estava já separada na mala com as coisas que pretendo mandar de volta para casa, para aliviar meu peso de carga, que está em aproximadamente, 70 kg. O que é um absurdo, ainda mais agora com a embreagem da moto a meio pau. Aliás, estou quase resolvido a seguir viagem assim mesmo e dane-se. Não existe a porra da peça em lugar nenhum e só em São Paulo o Beto achou uma usada e não to a fim de colocar usada.
Sai, comprei o tal cartão,em 5xR$ 7,50, se soubesse que podia fazer em 5x tinha pego dois logo. Voltei para o barco e me pediram para ligar pro Sergião. Como ele estava sem resposta da equipe que foi atrás do taxista, e o barco sairia em pouco tempo, me pediu que fosse a uma delegacia e registrasse um BO(boletim de ocorrência). Lá me fui eu atrás da tal 1ª. DP.
É no centro, mas longe do porto e tive que ir de taxi pois o barco sairia em uma hora. Fiz o tal BO e voltei pro barco já 15 min atrazado. Pensava eu pelo menos. Ainda levou algumas horas pra sair.
Bom, tem mais, vocês acham que a desgraça acaba ai? Acaba não ó!
Numa dessas idas e vindas ao barco, me informaram que ao descer a moto para o porão (vejam só, eu nem tinha me dado conta que a moto não estava ali onde a tinha deixado ontem) , tinham quebrado a bolha, Que para os leigos é como se chama aquele para brisa da moto. Juro que na pilha que eu estava, aquela informação me entrou por um ouvido e saiu por outro.  No prejuízo que eu já estava, o que era mais trezentos e poucos pilas. Além do mais com o monte de tombos que eu já tinha levado, não sei como essa tranqueira ainda estava ali inteira. Depois resolvo isso.
Bom, fui de novo pra minha rede amargurar o prejuízo.
Tô lá eu, já relaxando, quase dormindo e me vem um funcionário do navio com o telefone do marquinho na mão e me dá: -fala ai que é contigo.
Atendi. Era o Sergião: - E ai meu? Olha, o pessoal conseguiu achar a casa do velho e recuperou tuas coisas.
Eu – ma, má, tá, má, tá e como faço pra ir lá buscar.
Sergião –já ta aqui comigo
Eu- mas onde é tua delegacia que vou pegar um taxi e vou ai
Sergião – não cara, to aqui em cima, táqui comigo. Vem pegar aqui.
Bom, ele nem terminou de falar eu já tinha pulado da rede e tava correndo pra lá.
Sai da balsa subi a escadaria correndo, quase morri, a porquera tem um monte de degraus, e encontrei o Sergião bem belo sentado ali com os caras que ficam agenciando passagens e fretes, tomando uma cerveja. O cara é grandão mesmo, do meu tamanho e gordo. Dei um abração nele, agradesci e fomos ao carro dele pegar as coisas. Quando ele abriu a porta e vi as duas sacolas ali: UFA!!! Que alívio. Ele mandou abrir e conferir e foi ai que dei falta da máquina de fotos. A nova. A cara. A que faz filminhos. E com meu cartão de memória cheio de fotos.
Na pressa, eu só tinha mencionado a mochila e o computador e nem mencionei uma segunda bolsa com máquina fotográfica. Então...
Eles também não conferiram na hora, pois não sabiam que havia uma máquina fotográfica lá.
Dancei na máquina, apesar de que ele disse que tentaria voltar lá e reaver a bendita. Depois ligo pra ele de Belém para ver no que deu.
Fim da novela
Volto pro barco que já deve estar saindo.
Mais duas horas de espera, mas dessa vez sim, apaguei. Dormi ferrado. O estresse pegou. Claro que dormi com as duas mochilas grudadas em mim agora.
As 16:30 zarpou o navio que era para sair 12:00. Nunca achei tão bom um atraso desses.

Comentários

  1. Caramba Chico!!! Que sufoco. Eu fiquei aqui nervoso enquanto lia, me imaginando numa situação dessas...

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