Dia 15 – Salar de Uyuni, Bolívia



































Dia 15 – Salar de Uyuni, Bolívia
O programa hoje era ir visitar o salar e nada mais,então acordei sem pressa, comi algumas porcarias que tinha comprado ontem, Aproveitei que o hotel tem uns tanques de lavar roupa e lavei as minhas. Não sei se ficaram muito limpas, mas cheirosas estão com certeza.
Lá pelas 11h me mandei para o salar que fica a vinte e poucos km da cidade. Estradinha das mais desgraçadas. Estão construindo a pista principal, que deve ser asfaltada e em função disto há vários desvios onde se junta muita areia e formam as famosas costeletas. Mas hoje com a moto descarregada isso foi brincadeira de criança.
Cheguei ao salar pouco antes do meio dia, entrei direto sal a dentro. Tem várias trilhas pelo sal, uma já estão pretas de tanta borracha de pneu. E como o sal e liso, parece asfalto. Da para tocar tudo de punho fechado. Claro que com a altitude, mesmo uma moto injetada, não anda tudo aquilo que se espera.
Uma das principais recomendações quando se vai ao salar é colocar protetor solar pois a radiação solar é multiplicada pelo reflexo no branco do sal, como na neve. Adivinha se coloquei. Pensei: vou ficar o tempo todo de capacete. Pra que proteção? Pois é, to todo vermelho na cara. Só de tirar o capacete algumas vezes para fazer fotos, etc. já fiquei queimado. Tem que se ligar muito nisto mesmo.
Bom, no salar, basicamente os atrativos são, uma construção de sal que fica logo na entrada, onde tem aquele monte de bandeiras e todo mundo tira fotos, inclusive eu é claro, e a visita às ilhas que tem láááááá no meio do deserto de sal. Isso fica a 90 km da entrada. Eu não estava muito a fim de ir até lá, mas como o dia era só para o salar e era cedo, lá me fui. Para ser honesto, não achei nada de mais, é uma ilha mesmo, com a vegetação característica desta região(cactos e muitas pedras).  Tem umas casinhas com alguma infraestrutura para os turista que lá chegam em suas excursões de 4x4. Como é um morro alto, pode-se subir a pé La em cima para deslumbrar a vista do salar do alto. Eu só passei em frente, fiz umas fotos e me toquei de volta. Não queria arriscar voltar já com o sol descendo pois estava sem os forros da roupa e lá faz muito frio. Também queria tempo de volta e ainda aproveitar para dar um banho na moto, que além do sal que juntaria nessa voltinha, já estava insuportavelmente imunda.
Em suma, a ida à ilha em si na teve muita graça, mas rodar naquela imensidão de sal, um deserto branco sem fim e sem rumo é algo incrível.  E para quem já pensa que é perigoso se perder lá dentro, pode esquecer, nunca se fica só, há dezenas, mas dezenas mesmo de caminhonetes SUV passando de lá para cá o tempo todo e por toda a parte. São as Excursões de turistas. É gente do mundo todo, pra tudo quanto é lado. Além do mais, da sempre para se enxergar ao longe as montanhas o que dá um bom referencial de direção.
Saindo do salar, lá vou eu enfrentar a maldita estradinha de novo e chego a Uyuni. Fui no hotel, tirei a roupa de viagem e lavei tudo com escova e sabão. Já não dava mais para vestir aquela roupa de tanto pó grudado nela.  Feito isto, fui levar a moto para lavar. Uma lavagem das mais vagabundas, mas o principal que era tirar o pó e o sal foi feito. De volta ao hotel, finalmente encontrei o dono da moto, que estava lá desde ontem. É uma Super Tènèrè, com placas de South Dacota, USA.  Começamos a desenvolver algum tipo de comunicação, no início com a ajuda de um italiano que falava os dois idiomas(inglês e português) mas logo começamos a nos entender sozinhos. Claro que tudo pela metade mas, quem tem boa vontade, consegue se comunicar numa boa. Trocadas algumas informações sobre rotas e caminhos, combinamos de jantar juntos mais tarde e eu fui terminar de arrumar minhas coisas para seguir viagem amanhã.
Na janta a noite, numa pizzaria, acabei descobrindo que o suposto americano é na realidade um australiano de Perth. E olha a coincidência. Além de ser a cidade onde minha filha esteve vivendo por 8 meses ano passado,  é a cidade do casal de australianos que anda ai pelo Brasil com apoio da rede Brazil Rider’s e que por mais coincidencia ainda, eles são amigos.
Está a 11 anos radicado nos EUA e como eu está a caminho de São Pedro de Atacama e depois Ushuaia. O que muda são os ritmos de viagem.  O dele muito mais lento em função da disponibilidade de tempo. A viagem dele começou lá em Washington, atravessou os EUA até as Rochosas e desceu para a América Central e Latina. Vai ao Ushuaia e volta a Buenos Aires de onde resolve se manda a moto para a Europa, para continuar viajando ou se toma outro rumo.
Amanhã cedo, saio em direção a S.P. do Atacama, mas pelo caminho mais longo. A ideia era atravessar o deserto de sal, o que é moleza e sair no parque nacional Boliviano onde tem as lagunas Colorada e Verde, sem falar em temas e vulcões. Isso está fora de questão pois todas as informações de quem anda por lá nesses dias é de que há muita seca, as lagunas estão com pouca água e sem os Flamingos que embelezam o local, além disso há o maior terror de todos para mim: muita areia fofa nas estradas. Resolvi tocar daqui, via Potosi, que é tudo asfaltado, voltar a Argentina por onde entrei e atravessar o Passo de Jama. Além de evitar a areia isso me da um ganho de um a dois dias. Tenho que acelerar meu ritmo pois já estou uns cinco dias fora do cronograma. Se continuar assim, não consigo nem terminar a Ruta 40 sul, muito menos chegar até o Ushuaia.
Por hoje era isso. 
Até

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